segunda-feira, 26 de Março de 2007

Desenho na areia o som do mar...


Desenho na areia o som do mar. O ir e vir das ondas, como os teus caracóis, onde escondi um beijo salgado de mar. Diz-me por que razão sinto a tua mão aberta sobre mim. Diz-me por que razão vejo o teu sorriso reflectido até ao horizonte. Diz-me por que razão estás entranhada em mim, como o salitre na pele de um final de tarde. Encontro-te dentro de mim a cada respirar. Vejo-te e revejo-te, de olhos fechados, outra vez, e outra vez, e outra vez. Sempre aquele beijo suave, provado ao som do vento norte. Como se fosses viagem sem regresso. Como se me voltasses a sentir de olhos fechados. Como se aquele abraço fosse um novo dia. Desenho na areia o som do mar. Nota a nota. Respirar a respirar. Recolhendo o que chega de ti a cada onda. Vejo-te até ao horizonte, como se nada mais houvesse para ser visto. Desenho na areia cada segundo de ti. Cada segundo da minha mão a desenhar a tua mão. Dos meus dedos a revelarem o teu rosto. Do teu cabelo a desafiar o vento. Da tua voz a dizer-te inteira. De toda tu em mim. Eu sou-te a cada segundo. Tão natural como respirar, ou ver, ou pousar a mão sobre os meus olhos. Desenho na areia o som do mar. E surges, como quando respiro, vejo, ou pouso a mão sobre o meu olhar, tu. Surges sempre tu em mim. Porque estás toda tu em mim. E não tenho espaço para mais nada.