quarta-feira, 7 de Dezembro de 2005

Post n.º 100 - Adeus...

Ironicamente, este é o centésimo post deste blog. Durante o tempo que aqui escrevi, por aqui desenhei uma travessia do mar, «el mar de tu sentir», el mar de mi sentir. Ironicamente porque o Marinero en Tierra deixou de fazer sentido. Digamos que naufragou. Deixou de fazer sentido navegar neste mar. Como se lê algures num texto sagrado, «combati o bom combate». Sim. Combati o combate do amor. Como nunca. E perdi-o. Combati-o, com toda a força, com todas as armas, com todo eu no meu braço frágil. E perdi-o. Perdi a minha Princesa. Perdi-me. Continuo a fazer um esforço por me manter lúcido, mas não consigo. Não sei o que sinto. Não sei o que quero. Não sei quem sou. Ao post número cem, melhor não podia calhar do que fechar esta porta. Não sei se um dia a abrirei de novo, ou não. Mas a desse lado ficará sempre aberta. Para que aqui se leia da travessia que fiz. Da descoberta do mais formoso tesouro que podia ter encontrado. «Combati o bom combate». «En el mar de tu sentir». Mas perdi-o. Naufraguei. Espero que tenham gostado do que leram. Confesso que, muitas vezes, tive dificuldade em encontrar palavras, de tão grandes serem os sentimentos que me animavam. Agora, é o vazio. Estou perante mim próprio, continuo à procura das palavras... Vazio. Não sei para onde irei agora, nem como irei, nem se irei. Talvez comece por procurar um sentido para tudo isto e para o que está por vir. «Combati o bom combate». E perdi-o. Todo eu estou deslocado de mim, como se todo o meu interior se tivesse baralhado. Perdi. Perdi «el más hermoso sol de medio dia». Perdi tudo. «Sem amor, nada sou». Sinto que não adianta prolongar estas linhas. Naufraguei. Espero que tenham gostado. Até um dia...

terça-feira, 6 de Dezembro de 2005

A dor da mão que se larga

(Foto: Ana Sofia Silva)
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E regressa a dor da mão que se larga. Lentamente. Dedo a dedo. Como uma despedida sofrida. Em silêncio. E ondas de espuma marinha que perguntam porquês sem sentido. Dores diferentes, e sempre a mesma. A da ausência. A do querer sentir tudo de todas as formas. A de se tentar saber o que se sente, sem se saber. A dor do silêncio. A da saudade de percorrer todo o mundo na palma de uma mão. Sentir-te na ponta dos dedos. Pudera eu ter as palavras que me faltam. Para que as mãos, apesar de distantes, permaneçam entrelaçadas. De novo à descoberta. De nós.