sábado, 30 de Abril de 2005
Marinera de Levante, de Rafael Alberti
Ay del mar
Si mi voz muriera en tierra,
llevadla al nivel del mar
y dejadla en la ribera,
y nombradla capitana
de un blanco bajel de guerra.
Ay marinera
Sobre el corazón un ancla
con la insignia marinera
y sobre el ancla una estrella el viento
y sobre el viento la vela.
Rafael Alberti (del libro Marinero en Tierra)
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quarta-feira, 27 de Abril de 2005
Au revoir
I will always remember the parisienne moonlight in your eyes.
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Portrait de Paris V
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Portrait de Paris IV
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A Viagem, por Paul Nizan
«A viagem é uma sucessão de irreparáveis desaparições.»
Paul Nizan
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terça-feira, 26 de Abril de 2005
Portrait de Paris III
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Portrait de Paris II
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Portrait de Paris I
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quarta-feira, 20 de Abril de 2005
Mar urbano de Paris
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sábado, 16 de Abril de 2005
Volver
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Não estou pensando em nada, de Álvaro de Campos
Não estou pensando em nada
E essa coisa central, que é coisa nenhuma,
É-me agradável como o ar da noite,
Fresco em contraste com o verão quente do dia,
Não estou pensando em nada, e que bom!
Pensar em nada
É ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
O fluxo e o refluxo da vida...
Não estou pensando em nada.
E como se me tivesse encostado mal.
Uma dor nas costas, ou num lado das costas,
Há um amargo de boca na minha alma:
É que, no fim de contas,
Não estou pensando em nada,
Mas realmente em nada,
Em nada...
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sexta-feira, 15 de Abril de 2005
Amarra
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quarta-feira, 13 de Abril de 2005
Acontece, de Cartola (versão de Caetano Veloso)
Esquece o nosso amor, vê se esquece.
Porque tudo no mundo acontece
E acontece que eu já não sei mais amar.
Vai chorar, vai sofrer, e você não merece,
Mas isso acontece.
Acontece que o meu coração ficou frio
E o nosso ninho de amor está vazio.
Se eu ainda pudesse fingir que te amo,
Ah, se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo,
Isso não acontece.
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Pleamar (fragmento), de Rafael Alberti
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quarta-feira, 6 de Abril de 2005
Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa, de Álvaro de Campos
Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado, E romantismo, sim, mas devagar...).
Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando não merece simpatia.
Sim, eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa.
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
É estar ao lado da escala social,
É não ser adaptável às normas da vida,
Às normas reais ou sentimentais da vida -
Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta,
Não ser pobre a valer, operário explorado,
Não ser doente de uma doença incurável,
Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria,
Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas
Que se fartam de letras porque têm razão para chorar lagrimas,
E se revoltam contra a vida social porque tem razão para isso supor.
Não: tudo menos ter razão!
Tudo menos importar-se com a humanidade!
Tudo menos ceder ao humanitarismo!
De que serve uma sensação se ha uma razão exterior a ela?
Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
É ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
É ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.
Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki.
Tudo o mais é ter fome ou não ter o que vestir.
E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.
Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato,
E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.
Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!
Coitado dele, que com lagrimas (autênticas) nos olhos,
Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha olhos tristes por profissão
Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!
E, sim, coitado dele!
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.
Eu é que sei. Coitado dele!
Que bom poder-me revoltar num comício dentro de minha alma!
Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.
Não me queiram converter a convicção: sou lúcido!
Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: sou lúcido.
Merda! Sou lúcido.
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terça-feira, 5 de Abril de 2005
Adeus, Soares
Pregaste-me uma partida. Não contava que fugisses tão depressa. Não imaginas a falta que me tens feito. As saudades que tenho tido das nossas conversas no café, dos nossos passeios de carro ao som da Ópera, das nossas idas à Ópera, de quando íamos ao ensaio da Banda os dois, de quando íamos com a Banda para fora e nos riamos os dois, e sentíamos, lado a lado, cada nota que a Banda tocava, e sorriamos um para o outro, e não precisávamos e falar para nos entendermos.
Sabes, tenho várias fotografias tuas na minha memória. Da primeira Ópera que fomos ver, em que tu não contiveste as lágrimas quando a Mimi da La Bohéme se apaixonou pelo poeta. De quando te deixei em casa, um dia à noite, depois de um passeio de carro a ouvir a Tosca, e tu choraste quando o Mário estava preso e condenado à morte. E mal nós sabíamos que em breve estarias tu a cantar essa música. De quando fomos jantar ao restaurante onde gostavas de ir com o Silvino. De ti a ires jogar dominó todos os dias. De quando nós, a malta da pancadaria, como tu gostavas de dizer, te homenageámos. E tenho agora uma última. De mim, a dizer-te adeus, com as mesmas lágrimas com que te despediste de mim naquela noite.
Sempre te admirei. Sempre te quis ouvir. Sempre quis tentar ser-te útil no que precisasses. Vejo, agora, que falhei muitas vezes. Vejo, agora, que às vezes andamos demasiado preocupados com a nossa vida. Sempre pensei que conseguisses voltar a estar connosco. Que conseguisses voltar a sentar-te onde costumavas sentar-te no café. Que conseguisses voltar a vir fazer música connosco. Vejo, agora, que afinal conseguiste. Vejo, agora, que estás a fazer música connosco. Que continuas a ir todas as noites ao café. Que estás connosco. Sempre.
Lembro-me que, um dia, me fizeste um resumo da tua vida. Que te chamam Pinga, porque eras um craque da Rua de Santo António. Que foste para a Música de Vila já tarde, porque tinhas bom ouvido. Que foi graças a ti, ao teu esforço e à tua dedicação, que muita coisa se conseguiu. Que estiveste sempre na linha da frente quando precisávamos de um espaço para ensaiar. Que ajudaste a comprar muita coisa para a Banda. Que foste um dos dinamizadores da Mina, de que muita gente ainda se lembra com um sorriso.
Olho para trás, e vejo que estão lá cerca de dez anos até ao dia em que ficámos amigos. Tu, renitente, porque eu tinha o cabelo comprido. Eu também, porque sabia que isso te incomodava. E rimo-nos disso, depois, quando recordámos esses tempos. Sei que não era o teu melhor amigo, e peço-te desculpa por não o ter sido.
Ainda me lembro do teu telefonema logo a seguir ao Concerto de Natal, a felicitar-me. Lembro-me de te ter dito um adeus apressado da última vez que nos vimos e eu tinha deixado o carro no meio da tua rua, que agora está mais bonita, mas sem ti à janela a ver-nos passar, emocionado. E de tu me teres, mais uma vez, falado muito bem da Banda nessa noite.Mas sei que tu voltas. Afinal, agora vais estar sempre aqui. Agora vais ser tu a dar-me as novidades. Vais ser tu a conduzir e a escolher a música a ouvir. Vamos poder encontrar-nos sempre que quisermos. E vou poder dizer-te olá como tu me costumavas dizer. Vou dizer-te, de cada vez que te vir, “Adeus, Soares!”.
Posted by Marinero en Tierra at 7:55 PM 3 comments
domingo, 3 de Abril de 2005
No dia em que voltei a chorar
Posted by Marinero en Tierra at 3:46 AM 1 comments